“Tchecas” do Pânico, credibilidade do palhaço etc. e tal
Muita gente acreditou que os macacos velhos do Pânico na TV foram emboscados e caíram no conto das falsas tchecas garotas-propaganda de uma concorrente de anunciante do programa. Bem, eu não acreditei. O mano Gravz não acreditou. A bem da verdade, nem a tia Rosana, a bedel do tuíter, acreditou.
O problema foi que uma jornalista da Folha aparentemente acreditou. E o jornal aceitou emprestar sala, telefone, espaço na home page e a credibilidade para essa patacoada toda. Em mais um primoroso exemplo do jornalismo auto-referenciativo que é norma no Brasil, ainda acabou publicando dois follow ups da video-reportagem com o diretor do programa.
Ainda não se sabem muitos detalhes da história, e provavelmente nunca se saberá tudo, mas a única hipótese que não envergonharia o jornalismo sério – e manteria o furo da Folha – é a menos plausível: a de que a experiente produção do programa realmente tenha sido enganada e contratado as moças sem saber de nada – e o pessoal do RH da emissora nem tenha avisado a produção que os passaportes das tchecas não eram tchecos…
Sobre as teses que andaram especulando nesse grande fórum de compartilhamento de informações irrelevantes chamado internet, parto do princípio que a reportagem agiu de boa fé, e apenas pecou pela ingenuidade. E que o Pânico sabia da campanha, por óbvio. Mesmo assim, as alternativas restantes não são nada abonadoras para a imagem da jornalista e, por extensão, do jornal. Uma, a de que a tal cerveja nova, ou no caso a própria cervejaria, seria na verdade uma nova marca da AMBEV. Nesse caso, o jornal acabou servindo de mídia espontânea para o lançamento da cerveja. Outra, a de que a cerveja e cervejaria realmente nada têm a ver com a AMBEV; assim, o Pânico teria usado a Folha para ajudar a fazer parecer que eles tinham sido enganados pelas falsas tchecas, livrando-se assim de uma bela multa contratual.
O que me estranharia se essa última hipótese fosse confirmada não seria nem a armação, coisa corriqueira no Pânico na TV, nem a falta de compromisso ou responsabilidade com o espectador e a imprensa. Quem vive de credibilidade é o jornalismo, não o humor. Ele que vá atrás dos fatos. O que realmente não faria sentido seria o programa – provavelmente uma das maiores receitas da TV aberta – usar esse tipo de expediente para tentar ludibriar um anunciante. Afinal, até os cães sabem que não se deve morder a mão que alimenta.
















































